Nota do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo sobre o Prêmio Trajetórias e o legado de Mestra Griô Sirley Amaro

O Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo foi fundado em abril de 2008 e, na ocasião, recebeu as bênçãos de padrinhos e madrinhas, dentre estas da Mestra Griô Sirley Amaro. Até seu falecimento em outubro de 2020, Mestra Sirley Amaro foi presença cotidiana na caminhada do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo: seja nas visitas anuais ao ponto de cultura, na participação em atividades e eventos por nós organizados, seja na partilha das lutas, preocupações, dos desafios diários que representam a construção de um centro comunitário de cultura com a articulação e a abrangência do Quilombo do Sopapo. Amiga, mestra, conselheira, madrinha, cuidadora, referência nacional da Ação Griô e presença respeitada entre os Mestres e Mestras da cultura popular em todo o país. Por esses tantos motivos, em 2017 o Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo reinaugurou um de seus espaços de atendimento diário à comunidade em homenagem a mestra, mais uma vez com a sua presença e bênçãos: a Biblioteca Comunitária Mestra Griô Sirley Amaro.

O Edital Prêmio Trajetórias Culturais, realizado pelo Instituto Trocando Ideia em parceria com a SEDAC RS, com recursos da Lei Aldir Blanc, é muito feliz ao levar o nome da Mestra Griô Sirley Amaro: um edital pensado para, nesse grave momento da pandemia da Covid-19, identificar e premiar a trajetória dos fazedores de cultura, historicamente alijados do acesso ao fomento e reconhecimento cultural: são os artistas das comunidades periféricas, negras, índias, mestiças, de terreiro, ciganas e LGBTs. Não por acaso, tais recortes identitários constituem a base do edital e o resultado soma a marca histórica de 51% de cotas afirmativas, garantindo o acesso desses grupos ao fomento.

Para além dos problemas e distorções ocorridos no edital, que vêm sendo sanados de forma ágil e transparente pelo Instituto Trocando Ideia, nos espanta a tentativa de criminalizar o resultado do edital e as inúmeras manifestações nas mídias e redes sociais atacando a política de cotas que baseiam o resultado, vindo especialmente da dita classe artística. A verdade é que, mais uma vez, a branquitude racista e lgbtfóbica se aproveita dos problemas ocorrido no edital, e que estão em vias de serem sanados, para sustentar narrativas que garantam seus privilégios e mais uma vez manifesta sua indignação quando ações afirmativas dão voz e espaço a essa diversidade: uma indignação reativa e raivosa, carreada de preconceitos de todos os tipos e disfarçados de “opinião”.

Nesse momento em que vivemos um agravamento da pandemia da Covid-19, com consequências avassaladoras especialmente para as populações mais vulneráveis do nosso país, o Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, inspirado no legado da Mestra Griô Sirley Amaro, reafirma o compromisso com o reconhecimento dos fazeres e saberes de base comunitária e com a política de cotas e outras ações afirmativas que garantam acesso real a condições mínimas de vida, trabalho e saúde a esses trabalhadores e trabalhadoras da Cultura, como é a proposta e espírito da Lei Aldir Blanc.

Associação Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo

Porto Alegre, RS, abril de 2021.

Um comentário sobre “Nota do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo sobre o Prêmio Trajetórias e o legado de Mestra Griô Sirley Amaro

  1. O Ponto de Cultura Africanidade Restinga esta solidário com o ponto de cultura quilombo do sopapo e com o Instituto Trocando Ideia sobre o prêmio trajetória

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